Por que Falar em ‘Confiança’?
Qualquer tecnologia nova — ainda mais uma validada pela Harvard Medical School em diagnósticos médicos — pode causar certo receio, principalmente para quem cresceu longe do mundo digital. Mas assim como aprendemos a usar a internet, o celular, as redes sociais, podemos, sim, construir uma relação mais fluida com a Inteligência Artificial. E chegar ao ponto, de forma muito simples, a treinar o ChatGPT a ser um especialista na nossa saúde.
O Contexto do Estudo de Harvard
Harvard Medical School submeteu o modelo o1 do ChatGPT a cenários clínicos desafiadores e descobriu que a IA superou médicos em índices de acerto.
- 143 casos do NEJM CPC: O modelo o1-preview foi testado em 143 casos clínicos complexos do New England Journal of Medicine (NEJM) Clinicopathologic Conferences (CPCs). Em 78,3% desses casos, a IA incluiu o diagnóstico correto.
- Raciocínio Clínico: Em cenários que avaliam a qualidade da documentação de raciocínio (NEJM Healer), a IA atingiu 97,5% de pontuações perfeitas.
- Manejo Clínico: Em “Grey Matters Management Cases”, a IA pontuou 86%, enquanto médicos munidos de recursos comuns ficaram em torno de 34%.
Se a IA é confiável para tarefas tão complexas, certamente pode nos ajudar em todos os outros casos.
Começar e Evoluir
A melhor forma de construir confiança é fazendo perguntas simples sobre curiosidades do dia a dia. Pergunte sobre a origem do seu nome, sobre um livro inspirador ou sobre lugares interessantes no mundo:
Perguntas sugeridas:
- “O que é a inteligência artificial?”
- “Quais os sete lugares do mundo que toda pessoa deveria conhecer antes de morrer?”
- “Qual a origem do meu nome …?”
- “Quantos litros de água uma pessoa adulta deve beber por dia?”
Agora direcione as perguntas para os seus interesses:
- “Tenho na minha geladeira um peito de frango, dois tomates, um ovo e um punhado de azeitonas. Não gosto de omelete. Pode me dar duas sugestões de preparo do meu almoço com esses ingredientes?”
E então desenvolva um diálogo sobre um assunto pontual, apenas para você entender a dinâmica da interação.
Você: Olá. Que livros você recomenda como sendo os mais notáveis do mundo?
ChatGPT: Olá! Que pergunta maravilhosa! Há tantos livros incríveis, mas alguns dos mais notáveis que inspiraram gerações ao redor do mundo incluem:
- “Dom Quixote” de Miguel de Cervantes – Um clássico sobre sonhos, aventura e as complexidades do idealismo.
- “Cem Anos de Solidão” de Gabriel Garcia Marquez – Uma obra-prima do realismo mágico, cheia de história e simbolismo, narrando a trajetória de uma família ao longo de várias gerações.
- “Em Busca do Tempo Perdido” de Marcel Proust – Uma reflexão profunda sobre a memória, o tempo e a própria natureza da existência humana.
Esses livros são mundialmente celebrados por sua profundidade e impacto cultural. Algum deles chamou sua atenção?
Você: Eu gosto de livros de ficção. Pode me indicar três imperdíveis, que possam me inspirar?
ChatGPT: Claro! A ficção realmente tem o poder de nos transportar e inspirar de formas incríveis. Vou sugerir três obras que considero imperdíveis para reflexão e inspiração:
- “O Sol é para Todos” de Harper Lee – Uma história sobre justiça e moralidade, passada no sul dos Estados Unidos, que nos ensina sobre empatia e resiliência.
- “A Revolução dos Bichos” de George Orwell – Uma sátira sobre poder e corrupção, mas com lições muito profundas sobre o comportamento humano.
- “O Grande Gatsby” de F. Scott Fitzgerald – Uma crítica à busca do “sonho americano,” explorando temas de amor, perda e esperança.
Você: Desses que você mencionou, existe algum que trate mais diretamente sobre resiliência e superação pessoal?
ChatGPT: Sim! “O Sol é para Todos” se destaca nesse sentido. A história é centrada em um advogado, Atticus Finch, que defende um homem negro injustamente acusado em uma sociedade muito preconceituosa. Atticus enfrenta muitos desafios para fazer o que é certo, e a forma como ele e sua família lidam com a injustiça é uma lição sobre resiliência e ética. Além disso, se você gosta desse tema, posso recomendar:
- “O Velho e o Mar” de Ernest Hemingway – Este livro é uma história de luta e determinação, onde um pescador enfrenta o oceano em busca de um peixe enorme. É uma narrativa simples, mas extremamente poderosa sobre perseverança.
- “Os Miseráveis” de Victor Hugo – A história de Jean Valjean, um homem que luta para recomeçar sua vida, enfrentando preconceitos e dificuldades ao longo do caminho. É uma obra clássica sobre superação e transformação pessoal.
Você: Há algum outro que inspire uma visão positiva da vida, algo que me faça refletir sobre esperança?
ChatGPT: Certamente! Um livro que traz essa visão positiva é “Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry. Apesar de ser uma leitura leve, é cheio de reflexões profundas sobre amizade, amor e o que realmente importa na vida. A jornada do Pequeno Príncipe pelo universo nos faz lembrar da beleza das pequenas coisas e da importância das conexões.
Outro livro que traz essa mensagem de esperança é “A Vida de Pi” de Yann Martel. É uma história de sobrevivência e fé em meio a grandes dificuldades. A forma como Pi, o personagem principal, encontra força e significado mesmo nos momentos mais sombrios é muito inspiradora.
Agora que já entendeu o básico, faça as perguntas sobre sua saúde:
1) Perguntas inicias sobre sintomas e possíveis causas
- “Estou sentindo [descrição do sintoma: por exemplo, dor de cabeça forte há vários dias]. Quais podem ser as causas mais comuns, e que exames iniciais costumam ser recomendados?”
- Para ter um panorama geral das possíveis origens e entender os passos que um médico poderia sugerir.
- “Se eu tiver [sintomas X, Y e Z] ao mesmo tempo, que detalhes podem ajudar a diferenciar cada hipótese diagnóstica?”
- Para entender como a IA organiza o raciocínio clínico e quais informações são realmente relevantes para o diagnóstico.
2) Perguntas iniciais sobre preparo e acompanhamento de consultas
- “Vou ao médico para investigar [condição X]. Quais perguntas devo levar preparadas e que exames podem ser solicitados?”
- Para aproveitar melhor a consulta e não faltar com nenhuma informação importante.
- “Fui diagnosticado(a) com [condição Y]. Como posso interpretar o resultado dos meus exames laboratoriais ou de imagem, e quais próximos passos devo debater com o médico?”
- Para ajudá-lo a compreender os resultados básicos antes de um retorno ao consultório.
3) Perguntas inicias sobre manejo e tratamento
- “Para [condição crônica X], quais exercícios ou adaptações de rotina podem complementar o tratamento médico?”
- Para obter dicas gerais de hábitos saudáveis, reforçando que todo plano de cuidado deve ser revisto por um profissional.
- “Estou tomando o medicamento A e fui receitado com o medicamento B. Podem ocorrer interações perigosas? Quais perguntas preciso fazer ao meu médico ou farmacêutico?”
- Para despertar a consciência sobre a polifarmácia e interações medicamentosas.
4) Perguntas iniciais preventivas e de bem-estar
- “Quais medidas de prevenção para [condição X] são mais indicadas para a minha faixa etária e histórico familiar?”
- Para receber orientações iniciais de prevenção e checar fatores de risco.
- “Para pessoas com mais de [60, 65, 70] anos, quais exames periódicos são geralmente recomendados?”
- Para ter um roteiro do que discutir em consultas preventivas.
5) Perguntas inicias sobre pós-operatório e reabilitação
- “Acabo de passar por [cirurgia ou tratamento]. Quais tipos de exercícios ou rotinas de reabilitação são geralmente indicados nessa fase?”
- Para ter uma noção do processo de recuperação, embora a palavra final seja do profissional que acompanha.
- “Quero ajustar minha alimentação para ajudar no controle de [hipertensão, diabetes etc.]. Que perguntas devo fazer ao meu nutricionista ou cardiologista?”
- Para traçar um diálogo mais específico e dirigido durante a consulta.
6) Perguntas inicias de pesquisa e aprendizado
- “Quais pesquisas recentes existem sobre [condição X], e quais avanços podem impactar o tratamento em breve?”
- Para quem deseja acompanhar tendências e estudos científicos relacionados a determinada doença ou condição.
- “Quais sinais de alerta devem me levar a procurar ajuda médica imediata quando o assunto é [condição Y]?”
- Para conscientizar sobre situações de emergência e urgência.
Importante Lembrar
- A IA não substitui a orientação e avaliação de um profissional de saúde.
- Se algo parecer vago ou contraditório, repergunte, contextualize, peça ao ChatGPT buscar a informação na Web, peça a fonte da informação. E, claro, consulte um médico, enfermeiro ou especialista.
- Você está fazendo perguntas iniciais. Quanto mais profundas forem as contextualizações e mais acertadas forem as perguntas, mais útil será a resposta. Com o tempo, você aprenderá a usar a sua sabedoria de vida para fazer as perguntas profundas e certas ao ChatGPT.
- A medicina evolui rapidamente: alguns dados podem ficar desatualizados. Pesquise também em sites de órgãos de saúde e publicações científicas atuais.
Observando as Respostas
Preste atenção em como a IA responde. Ela costuma explicar o raciocínio, citar exemplos e, às vezes, dar referências. Vendo que as informações fazem sentido, você se sente mais seguro. Se ficar alguma dúvida, pesquise em outra fonte ou pergunte a um amigo ou familiar.
Confiar Não É Cegar
Construir confiança não significa acreditar cegamente. Lembre-se de que o ChatGPT se baseia em padrões de texto — pode haver lacunas, dependendo do assunto. Mas se a ferramenta foi capaz de impressionar pesquisadores de Harvard em áreas médicas complexas, certamente tem solidez para responder sobre temas gerais do cotidiano.
Conclusão
Com o tempo, você perceberá que não há grande mistério. É só uma tecnologia avançada, muito bem treinada, que se torna mais útil quanto melhor você a questiona de forma profunda. Para isso, você detém o elemento principal: a Sua Sabedoria de Vida. Então, não tenha medo: pergunte, teste, valide. E, gradualmente, você terá um “companheiro digital” pronto para auxiliar em infinitas situações, e disponível 24/7.